Guia de manejo
Ordem de mistura da calda
Os mesmos produtos, na mesma dose, podem dar uma calda boa ou uma pasta no fundo do tanque. Segundo a Embrapa, a compatibilidade da mistura depende da sequência em que cada produto entra.
A sequência da Embrapa
- 1Água até 2/3 do tanque
- 2Ligar a agitação e manter até o fim
- 3Condicionadores de calda (sequestrante, acidificante, tamponante), redutor de deriva, antiespumante e agente de compatibilidade
- 4Pó molhável (WP)
- 5Granulados (WG e SG), com a pré-mistura que a bula indicar
- 6Suspensão concentrada (SC)
- 7Concentrado solúvel (SL)
- 8Concentrado emulsionável (EC)
- 9Demais adjuvantes
- 10Fertilizantes foliares
- 11O restante da água
É a regra geral. Se a bula de um produto pedir outra ordem ou uma pré-mistura, vale a bula. Este guia não indica produto, dose nem mistura: isso é da receita do seu agrônomo.
Cerrano Campo
Calda talhada é bomba perdida. Deixe o Cerrano montar a ordem.
Seu agrônomo passa a receita. O Cerrano lê a formulação de cada produto, confere se a mistura combina e monta a ordem na bomba, e o operador vê tudo no celular.
- Confere a mistura
- Ordem na bomba
- Delta T de agora
Por que a ordem importa
Quando a mistura não combina, a Embrapa fala em incompatibilidade. A física aparece no tanque: fases que se separam, flocos, espuma demais, pasta ou borra no fundo. O exemplo clássico é pôr o concentrado emulsionável (EC) antes do pó molhável (WP): o pó não se espalha e forma uma pasta que não dissolve.
A química não aparece a olho nu. Um produto atrapalha o outro e o controle falha, às vezes só horas ou dias depois. Nas duas, o prejuízo é o mesmo: bico e filtro entupidos, aplicação parada, resíduo no tanque e praga, doença ou daninha que não morre.
A lógica da sequência é simples: primeiro o que prepara a água, depois os sólidos, que precisam de água e agitação para se espalhar, depois os líquidos e, no fim, o que tem óleo e os foliares.
As siglas da formulação
A formulação vem escrita no rótulo e na bula, ao lado do nome do produto. As siglas seguem a norma ABNT NBR 12697:
- WP pó molhável
- SP pó solúvel
- WG granulado dispersível
- SG granulado solúvel
- SC suspensão concentrada
- CS suspensão de encapsulado
- SE suspo-emulsão
- SL concentrado solúvel
- EC concentrado emulsionável
- EW emulsão óleo em água
- OD dispersão em óleo
A sequência da Embrapa não fixa lugar para SP, CS, SE, EW, OD nem para a embalagem hidrossolúvel. Para esses, a referência é a bula do produto.
Teste da jarra: antes de encher o tanque
A Embrapa recomenda testar a mistura em pequena escala antes de preparar a calda de verdade:
- use um pote transparente de 1 litro, com tampa;
- ponha 2/3 de água, a mesma que vai no tanque;
- acrescente os condicionadores e os produtos na ordem e na mesma proporção da receita;
- complete com o resto da água e os demais produtos;
- agite, deixe 2 horas parado e olhe com calma.
Flocos, borra, espuma que não baixa ou óleo separado mostram incompatibilidade: mude a ordem e repita. O volume de 1 litro não é à toa, porque há problemas que não aparecem num copo pequeno.
A água também conta
Água dura, com cálcio, magnésio e ferro, pode inativar parte do produto. Água com argila ou matéria orgânica, como a de represa barrenta, também prende o ativo e ainda entope filtro e bico.
Sobre o pH, a Embrapa é direta: não existe um pH ideal para todas as aplicações. Ele depende de cada produto, e a referência está na bula.
Frio, agitação e volume de calda
- Com água fria, abaixo de 15 °C, o concentrado emulsionável pode virar gel. A incompatibilidade é mais comum no frio, sobretudo no Sul.
- A agitação deve ser constante do começo ao fim. Forte demais, faz espuma.
- Pouca água concentra a calda e aumenta o risco. A Embrapa considera 100 litros por hectare adequado na maioria dos casos, e mistura com três produtos ou mais pode pedir mais água.
- Calda pronta é para aplicar logo. Parada, ela pode se degradar; se parar, olhe a calda antes de voltar a aplicar.
O que diz a lei sobre mistura em tanque
A mistura em tanque é permitida pela Instrução Normativa 40 do MAPA, de 11 de outubro de 2018. Ela precisa vir na receita agronômica, com a indicação da mistura, e a responsabilidade é do engenheiro-agrônomo que assina. A Embrapa acrescenta que mistura com produto biológico só deve ser feita com estudo específico.
Antes da norma, a prática já era a regra no campo: numa pesquisa de 2015 em 17 estados, 97% dos entrevistados usavam mistura em tanque, quase sempre com dois a cinco produtos.
Limpeza do tanque
A limpeza depende do último produto que passou no tanque, e o jeito certo está na bula dele. Depois de herbicidas como 2,4-D e dicamba, resto no tanque pode queimar a soja na aplicação seguinte, por isso a tríplice lavagem com o produto de limpeza indicado é a referência.
Antes de sair para aplicar, calcule o Delta T e veja o melhor horário para pulverizar. Para saber o que cada ativo faz, consulte os defensivos da soja por ingrediente ativo.
Na sua fazenda, a ordem pronta em cada bomba
Decorar a tabela não resolve o dia a dia: cada receita tem produtos diferentes, e quem prepara a calda é o operador. No Cerrano Campo, o agrônomo programa a aplicação, o sistema lê a formulação de cada produto, avisa se a mistura não combina e entrega ao operador uma bomba por vez, na ordem certa, mesmo sem sinal.
Cada aplicação ainda fica no caderno de campo digital e dá baixa no estoque de defensivos.
Perguntas frequentes
Qual a ordem de mistura dos defensivos no tanque?
Pela Embrapa: água até 2/3 do tanque, agitação ligada, condicionadores de calda, depois pó molhável (WP), granulados (WG e SG), suspensão concentrada (SC), concentrado solúvel (SL), concentrado emulsionável (EC), os demais adjuvantes, o fertilizante foliar e, por fim, o restante da água. Se a bula de um produto disser outra coisa, vale a bula.
Posso misturar herbicida com inseticida ou fungicida no tanque?
A mistura em tanque é permitida desde a Instrução Normativa 40 do MAPA, de 2018, mas precisa estar na receita agronômica, que é responsabilidade do engenheiro-agrônomo. Antes de encher o tanque, confira a bula de cada produto e faça o teste da jarra.
Em que momento entra o adubo foliar?
Na sequência da Embrapa, o fertilizante foliar entra no fim, depois dos defensivos e dos demais adjuvantes, logo antes de completar a água. Foliar sem composição conhecida é um risco a mais de incompatibilidade.
A calda talhou. O que fazer?
Calda talhada, com flocos, pasta, borra no fundo ou fases separadas, é incompatibilidade física. Segundo a Embrapa, essa calda não é aplicável: entope bico e filtro e não controla como deveria. Refaça o teste da jarra mudando a ordem e converse com o seu agrônomo.
Como fazer o teste da jarra?
Num pote transparente de 1 litro com tampa, ponha 2/3 da mesma água que vai no tanque, os condicionadores e os produtos na mesma ordem e na mesma proporção da receita, depois o resto da água. Agite, deixe 2 horas parado e olhe: se aparecer flocos, borra, espuma ou separação, mude a ordem e repita.
Qual o pH ideal da calda?
Não existe um pH ideal para todas as aplicações. Segundo a Embrapa, o pH certo depende de cada produto, e a referência está na bula dele.
Quanto tempo a calda pode ficar pronta no tanque?
O mínimo possível. A Embrapa orienta aplicar logo depois de preparar: parada, a calda pode se degradar. Se precisar parar, mantenha a agitação e olhe a calda antes de voltar a aplicar.
Cerrano Campo
Na lavoura, você não precisa decorar nada disso.
Seu agrônomo passa a receita. O Cerrano lê a formulação de cada produto, confere se a mistura combina e monta a ordem na bomba, e o operador vê tudo no celular.
- Confere a mistura
- Ordem na bomba
- Delta T de agora
Cerrano FinanceiroEm breve
Quanto a sua fazenda deu de verdade?
- Resultado por safra
- Extrato conferido
- Fazenda e pessoal separados
Fontes
- Embrapa Soja, Documentos 437: Tecnologia de aplicação e mistura em tanque (2021)
- Gazziero, Embrapa Soja: regulamentação das misturas em tanque de agrotóxicos
- Cornell University, PSEP: ordem de mistura no tanque
- Corteva, limpeza de tanques após herbicidas na soja
Este guia é informativo, não indica produto, dose nem mistura e não substitui a bula nem a receita do seu agrônomo.