Guia de crédito rural
Proagro
O Proagro garante o custeio da lavoura quando o clima ou uma praga sem controle derruba a receita. Mas a cobertura se perde por detalhe: plantio fora do Zarc, nota no nome errado, comunicação atrasada, colheita antes da vistoria. Este guia junta as regras em vigor na safra 2026/27.
O que não pode faltar
- Comunicar a perdalogo depois do evento, dentro da vigência
- Vistoria (desde 01/07/2026)fotos na lavoura e uma com o produtor
- Mudou a áreanovas coordenadas em até 30 dias
- Notas dos insumosno nome do titular, guardadas por 5 anos
Regras conferidas em outubro de 2026. Elas mudam a cada Plano Safra: confirme com o seu banco ou cooperativa na hora de contratar.
Cerrano Campo
Saiba quanto choveu na sua fazenda, não na cidade.
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- Calda que não talha
Proagro, Proagro Mais e seguro rural
O Proagro é do governo federal. Quem contrata, recebe a comunicação de perda, manda o perito e calcula a indenização é o banco ou a cooperativa do financiamento. O Banco Central administra o programa e paga.
- Proagro Mais: para agricultores familiares do Pronaf. Cobre também uma renda mínima e a parcela de financiamento de investimento.
- Proagro tradicional: para os demais produtores, até R$ 200 mil enquadrados por ano agrícola.
- Seguro rural (PSR): seguro privado com parte do prêmio paga pelo governo. Em 2026/27, a subvenção da soja ficou em 20% do prêmio. É o caminho do governo para médios e grandes produtores, e não soma com o Proagro na mesma lavoura.
Quem tem direito e qual o limite
A adesão vem por cláusula no contrato de custeio agrícola ou, se a lavoura não é financiada, por Termo de Adesão. O limite é de R$ 200 mil por beneficiário em cada ano agrícola (era R$ 270 mil até junho de 2025). O custeio de até R$ 200 mil com recursos controlados e lavoura no Zarc precisa ser enquadrado no Proagro.
Não pode contratar quem reúne as três condições ao mesmo tempo: comunicou perda em 3 ou mais dos últimos 5 anos agrícolas, teve 60% ou mais do valor enquadrado deferido e recebeu R$ 250 mil ou mais de indenização em 5 anos.
Quanto custa: o adicional
O custo do Proagro é o adicional, uma alíquota sobre o valor coberto que vem junto com as prestações do financiamento. A tabela de 2026/27 (Resolução CMN 5.315) vale para enquadramentos a partir de 1º de julho de 2026. Na soja, a alíquota vai de 3% a 10% no Proagro Mais e de 3% a 20% no tradicional, conforme a região.
- irrigação e proteção contra granizo: desconto de até 50%;
- lavoura orgânica ou agroecológica: 2% no Mais e 4% no tradicional;
- histórico de perdas baixo (do CPF ou CNPJ e do imóvel): desconto de 50%.
O Zarc manda no plantio
Só tem cobertura a lavoura plantada dentro do Zoneamento Agrícola de Risco Climático: na janela da portaria da safra para o município, o tipo de solo e o grupo da cultivar. O banco confere a data de plantio por imagem de satélite.
O Zarc separa as janelas pelo risco de perda: 20%, 30% e 40%. Plantar na janela de 20% dá a maior cobertura; na de 30%, o limite cai 5 pontos, e na de 40%, 10 pontos.
O que o Proagro cobre e o que não cobre
A cobertura vale da emergência da lavoura até o fim da colheita. Ficam cobertos:
- seca, menos na lavoura irrigada;
- chuva excessiva;
- geada e granizo;
- variação excessiva de temperatura e ventos fortes ou frios;
- doença ou praga sem método de controle conhecido e economicamente viável.
Não ficam cobertos: incêndio, erosão, plantio fora do Zarc, falta de controle de pragas e doenças comuns na região, adubação deficiente, tecnologia inadequada e, na soja, cancro da haste e nematoide de cisto em cultivar suscetível.
Na contratação
- não plante antes de apresentar a proposta, nem assine o contrato mais de 30 dias depois do plantio;
- informe o período de plantio e de colheita e as coordenadas de cada gleba;
- plantou em outro lugar? Informe as novas coordenadas logo depois do plantio, em até 30 dias;
- acima de R$ 5 mil, tenha à mão a análise química do solo (vale 2 anos) e a física (vale 10 anos), se o banco pedir;
- compre os insumos com nota no nome do titular (ou de quem a norma permite, como cônjuge sem custeio em aberto) e guarde as notas por 5 anos depois da indenização;
- semente própria só se estiver no orçamento e dentro da lei de sementes.
Deu perda: passo a passo
- Comunique o banco ou a cooperativa logo depois do evento, por escrito, e guarde o protocolo. A norma não dá número de dias: comunicação feita quando já não dá para medir a perda é recusada. Se a perda piorar, comunique de novo.
- Não colha antes da vistoria nem sem autorização do perito. E tome as providências para a perda não aumentar.
- Acompanhe a vistoria. Desde 1º de julho de 2026, cada visita leva pelo menos 3 fotos coloridas da lavoura com pontos de referência e 1 foto com o produtor ou o preposto no local, comprovadas dentro das coordenadas da área.
- Perda acima de 60%: dá para pedir a conclusão com uma só vistoria e usar a lavoura para massa verde. Depois disso não se pede revisão.
- Se vender a produção antes da análise, entregue a nota fiscal de venda.
- O banco tem até 90 dias corridos depois do relatório final para decidir, e mais 5 dias úteis para avisar.
- Discorda? Peça revisão ao banco em até 30 dias, com documentos. Mantida a decisão, o recurso vai para a CER, no Ministério da Agricultura.
Onde o registro de chuva da fazenda ajuda
A prova oficial é o relatório do perito do banco, e nenhum registro particular substitui a vistoria. Mas anotar a chuva da própria fazenda ajuda em três pontos: perceber cedo um veranico ou um excesso de chuva e comunicar na hora, mostrar ao perito a data e o tamanho do evento e juntar documentos a um pedido de revisão ou recurso.
A chuva da cidade nem sempre é a da lavoura. Veja quanto choveu hoje nas estações perto de você e a chuva normal de cada mês no Cerrado.
Erros que tiram a cobertura
- plantar fora da janela, do solo ou da cultivar do Zarc;
- plantar antes da proposta ou assinar mais de 30 dias depois do plantio;
- mudar de área e não atualizar as coordenadas;
- comprar insumo com nota no nome de outra pessoa ou não guardar as notas;
- análise de solo vencida ou faltando;
- demorar para comunicar a perda;
- colher antes da vistoria;
- ter seguro privado na mesma lavoura;
- deixar a lavoura no mato, sem adubação ou sem controle das pragas comuns;
- perder o prazo de 30 dias para recorrer.
Perguntas frequentes
O que é o Proagro?
É o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária, do governo federal. Ele paga o financiamento de custeio agrícola, total ou em parte, quando a receita da lavoura cai por evento climático ou por praga ou doença sem controle conhecido. O banco ou a cooperativa contrata e acompanha; o Banco Central administra o programa.
Qual a diferença entre Proagro Mais e Proagro tradicional?
O Proagro Mais é para agricultores familiares do Pronaf e cobre também uma renda mínima e a parcela de financiamento de investimento. O Proagro tradicional atende os demais produtores, dentro do limite de R$ 200 mil por ano agrícola.
Quem tem direito ao Proagro?
Quem tem custeio agrícola com a cláusula do Proagro (ou assinou o Termo de Adesão, se a lavoura não é financiada), planta dentro do Zarc e fica no limite de R$ 200 mil enquadrados por ano agrícola. Fica de fora quem, ao mesmo tempo, comunicou perda em 3 dos últimos 5 anos, teve 60% ou mais do valor enquadrado deferido e recebeu R$ 250 mil ou mais de indenização em 5 anos.
O que o Proagro cobre?
Com a lavoura já emergida: seca (fora a lavoura irrigada), chuva excessiva, geada, granizo, variação excessiva de temperatura, ventos fortes ou frios e doença ou praga sem método de controle conhecido e viável. Não cobre incêndio, erosão, plantio fora do Zarc, falta de controle de pragas comuns, adubação deficiente nem tecnologia inadequada.
Quanto custa o Proagro na soja?
O custo é o adicional, uma alíquota sobre o valor coberto, cobrada junto com o financiamento. Na tabela de 2026/27, a soja vai de 3% a 10% no Proagro Mais e de 3% a 20% no tradicional, conforme a região. Irrigação e proteção contra granizo dão até 50% de desconto, e quem tem histórico de perdas baixo também tem 50% de desconto.
Qual o prazo para comunicar a perda no Proagro?
A norma diz imediatamente depois do evento, sem número fixo de dias. A comunicação feita quando já não dá para apurar a causa e o tamanho da perda é considerada fora do prazo, e a feita depois do fim da vigência (fim da colheita) é recusada.
Posso colher antes da vistoria?
Não. Colher antes de comunicar a perda e antes da vistoria, ou sem autorização do perito, pode tirar a cobertura. Atrasar a colheita sem motivo também é problema.
E se o banco negar a indenização?
Você tem 30 dias para pedir revisão ao banco ou à cooperativa, com documentos que mostrem os seus argumentos. Se a decisão for mantida, o recurso vai para a Comissão Especial de Recursos (CER), no Ministério da Agricultura.
Dá para ter Proagro e seguro rural na mesma lavoura?
Não. Se houver seguro contratado para a lavoura, o Proagro não cobre. A política do governo é deixar o Proagro para a agricultura familiar e atender médios e grandes produtores pelo seguro rural com subvenção (PSR).
Cerrano Campo
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Fontes
- Banco Central, Proagro: resumo de instruções para o beneficiário (2025)
- Resolução CMN 5.315/2026 (tabela do adicional e vistoria com fotos)
- Resolução CMN 5.224/2025 (limite de R$ 200 mil e ajustes da cobertura)
- Voto CMN 28/2025
- FAESP/Senar, Informe Técnico 31/26: Plano Safra 2026/27
- MAPA, portarias do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc)
Este guia é informativo e resume as normas do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional. Não substitui o contrato, o Manual de Crédito Rural nem a orientação do seu banco ou cooperativa.